Pretendemos
destacar
mensalmente
uma escritora
ou poetisa
portuguesa.
A obra e a biografia,
curiosidades e
ainda um poema
como exemplo
.
 
     
 
Colaboraram:
<DanaMarte>; <WithinCircles>; <Consequencia>
 
     
 
 
 
Por favor reporte qualquer erro detectado nesta página, através do email ou ainda no nosso fórum.
 
       

 

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de Novembro de 1919 no Porto, no seio de uma família aristocrática. Aos 3 anos, decora A Nau Catrineta, recitada por uma criada. Antes de aprender a ler, o avô ensinou-a a recitar Camões. Aos 12 anos escreve os seus primeiros poemas, frequentando na altura o colégio Sagrado Coração de Maria no Porto. Em 1936 ingressa na Faculdade de letras de Lisboa, frequentando o curso de Filologia Clássica, no entanto sem o concluir. Volta para o Porto até ao seu casamento com Francisco Sousa Tavares, altura em que muda definitivamente para Lisboa. Fruto deste casamento nascem 5 filhos.

Em 1944 publica o seu primeiro livro "Poesia" com uma edição de 300 exemplares e com poemas escritos por Sophia aos 14 anos de idade.

Entre 1947 e 1961 edita vários livros: "O dia do Mar", Ática; "Coral", Livraria Simões Lopes; "No Tempo Dividido", Guimarães; "O Rapaz de Bronze" (literatura infantil), Minotauro; "Mar Novo", Guimarães; "A Menina do Mar" (infantil), Figueirinhas; "A Fada Oriana" (infantil), Figueirinhas; Escreve um ensaio sobre Cecília Meireles na "Cidade Nova"; "Noite de Natal" (infantil), Ática; "Poesia e Realidade", na "Colóquio 8"; "O Cristo Cigano", Minotauro.

Passa a dividir o seu dia a dia como poetisa e como activista contra a política de Salazar e a sua poesia ergue-se como a voz da liberdade, especialmente no Livro "O Livro Sexto" , distinguido com o Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores. Foi sócia fundadora da "Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos"e a sua intervenção cívica foi uma constante, mesmo após a Revolução de Abril de 1974, tendo sido Deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista.

Profundamente mediterrânica na sua tonalidade, a linguagem poética de Sophia de Mello Breyner denota, para além da sólida cultura clássica da autora e da sua paixão pela cultura grega, a pureza e a transparência da palavra na sua relação da linguagem com as coisas, a luminosidade de um mundo onde intelecto e ritmo se harmonizam na forma melódica, perfeita, do poema.

Luz, verticalidade e magia estão, aliás, sempre presentes na obra de Sophia, quer na obra poética, quer na importante obra para crianças que, inicialmente destinada aos seus cinco filhos, rapidamente se transformou em clássico da literatura infantil em Portugal, marcando sucessivas gerações de jovens leitores com títulos como "O Rapaz de Bronze", "A Fada Oriana" ou "A Menina do Mar".

Sophia é ainda tradutora para português de obras de Claudel, Dante, Shakespeare e Eurípedes, tendo sido condecorada pelo governo italiano pela sua tradução de "O Purgatório".

Entre 1964 e 1972 publica "O Cavaleiro da Dinamarca" (infantil), Figueirinhas; "Geografia", Ática; "A Floresta" (infantil), Figueirinhas; "Grades", D. Quixote; "Dual", Moraes.

Em 1975 Publica o ensaio "O Nu na Antiguidade Clássica", integrado em O Nu e a Arte, uma edição dos Estúdios Cor.
Em 1977 é distinguida com o prémio Teixeira de Pascoaes pelo livro " O Nome das Coisas".

Em 1983 recebe o prémio da Crítica do Centro Português de Associação de Críticos Literários pelo Livro "Navegações".
Entre os anos de 1984 e 1989 publica "Histórias da Terra e do Mar" , "Árvore" e "Ilhas", destinguido com os Prémios D. Dinis, da Fundação Casa de Mateus e Inasset-INAPA (1990).

Reúne toda a sua obra poética em 3 volumes, " Obra Poética" no ano de 1990 sendo destinguida com o Grande Prémio de Poesia Pen Clube. Dois anos depois é distinguida com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças.

Publica "Musa", "Signo" em 1994 e é premiada uma vez mais pelo Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores. Um ano depois é premiada com a Placa de Honra do Prémio Petrarca em Itália. Homenageada do Carrefour des Littératures, na IV Primavera Portuguesa de Bordéus e da Aquitânia em 1996.

Edita em 1998 "O Búzio de Cós", Caminho, distinguido com o Prémio da Fundação Luís Míguel Nava.

Em 1999 Recebe o prémio Camões.

É uma das escritoras contemporâneas com mais projecção a nível nacional. A sua obra abrange a poesia, o conto, sobretudo infantil, o ensaio e a tradução. No seu mundo poético, o mar, a terra, a casa, a infância e a família ocupam um espaço privilegiado. Teve um papel importante de intervenção social, cívica e política. Contudo, é como poeta que se destaca: a sua vasta obra é considerada excepcional e, por isso, nunca é demais lembrar a sua poesia.

 
         
Topo da página
   
 
   

Praia

Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios

As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços

A praia é lis e longa sob o vento
Saturada de espaços e maresia

E para trás fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.

 

     
   
Topo da página
 
 

"Recordo-me de descobrir que num poema era preciso que cada palavra fosse necessária, as palavras não podem ser decorativas, não podiam servir só para ganhar tempo até ao fim do decassílabo, as palavras tinham que estar ali porque eram absolutamente indispensáveis. Isso foi uma descoberta"

S.M.B.A. - (JL 468, de 25/6/91)